Tabapuã é destaque na revista Pecuária Brasil

Tabapuã é destaque na revista Pecuária Brasil

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Um bezerro da raça Tabapuã pode facilmente chegar aos 500 kg antes de completar dois anos, mas, fora esse detalhe, ele pode ser comparado a um cachorro de estimação. Isso porque o carinho que os animais desenvolvem por seus criadores e tratadores é frequentemente motivo de boas histórias. Uma delas começou recentemente, em Araruama, no Rio de Janeiro. O pecuarista Wagner Lobão conheceu em 2015 a raça através dos criadores Edgard Ramos e Bruno Gregg, e ficou admirado com a mansidão dos animais.

Ele teve a ideia de presentear sua filha Maysa, deficiente visual, com um daqueles que pareciam animais de estimação. Na hora da compra, foram colocados 30 animais no curral para que ele pudesse escolher um. Wagner ficou preocupado, porque não sabia qual escolher. Mas não foi necessário, um deles o escolheu. De todos os animais do curral, um foi até ele e a esposa, Sandra. Aonde o casal ia, ele ia atrás. A docilidade do animal surpreendeu Wagner, que na mesma hora resolveu levá-lo.

Já na propriedade de Wagner, sua filha Maysa conheceu o animal e passou a chamá-lo de Garoto. O carinho que ele tem com a menina é o que faz toda diferença. Quando ela se aproxima da cerca, ele vai a seu encontro, a fim de ser acariciado. Quando ainda mais próximos, no piquete do touro, ele a empurra levemente com a cabeça e faz com que Maysa se sente no chão, pondo-se a dormir com a cabeça no colo dela.

No começo, a família tinha um pouco de medo de deixá-lo próximo a ela, uma vez que Garoto pesa quase uma tonelada. Mas o animal toma todo cuidado com a jovem. Durante a ExpoZebu 2015, em Uberaba (MG), a família adquiriu mais um animal. Wagner garante que é um novo começo. “Vou trocar o nome da propriedade, trocar tudo para começar com a nova raça. Os criadores são acolhedores, unidos, muito receptivos, e isso fez toda a diferença na hora da escolha de me tornar um sócio da ABCT”, conta.

A raça, formada há 75 anos, tem como características grande habilidade materna, excelente conformação e acabamento de carcaça. Mas, de todas essas características, o que de fato mais chamou a atenção do pecuarista foi a docilidade. Durante a ExpoZebu, 10 outros novos criadores de Tabapuã também se tornaram sócios da Associação Brasileira dos Criadores de Tabapuã (ABCT).

Docilidade natural

O Tabapuã é uma raça que já nasceu sendo selecionada para docilidade. A Fazenda Água Milagrosa, em Tabapuã, interior de São Paulo, é o berço da raça. Lá, a seleção de Alberto Ortenblad presava por essa característica desde o início, na década de 1940. “A seleção precisava de animais dóceis para poder ganhar mais peso, porque sabia que essa característica ajuda no ganho de peso. O animal mais dócil é mais calmo pra comer, mais fácil na hora de tratar, para confinar é menos agitado”, explica o gerente da propriedade, Paulo Camargo.

Ele ainda explica que essa é uma característica que não pode ser medida por índices, mas é facilmente constatável pela observação humana. Sem chifres, a raça é mansa e por isso não se estressa ou perde peso durante vacinações, pesagens e transporte. A característica mocha colabora para minimizar danos e conflito físico, mas o Tabapuã também não tem o costume de se envolver em brigas.

“Desde o primórdio da seleção da raça, o animal bravo era evitado, procurando sempre animais mais mansos, fáceis de lidar. Por isso, depois de tantos anos de evolução, o Tabapuã é um animal naturalmente dócil”, finaliza Paulo.

Revista Pecuária Brasil
Foto: Arquivo Pessoal

 

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